O turista estrangeiro que desembarcar na capital paulista para acompanhar
a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, irá conhecer de perto o rio
Tietê poluído. Mesmo quando a Copa terminar, a despoluição do rio ainda
irá demorar muitos anos.
A meta da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo)
é a de universalizar o serviço de coleta e tratamento de esgoto em toda sua
área de atuação até o final desta década (2020). De 1992 a 2008, a empresa
de saneamento já gastou US$ 1,6 bilhão na despoluição do rio, mas o
paulistano ainda não viu, ao menos no trajeto do Tietê na capital, os investimentos
tornarem as águas menos imundas.
O Projeto Tietê teve início em 1992, com a assinatura, em dezembro daquele
ano, do contrato de empréstimo com o BID (Banco Interamericano de
Desenvolvimento) para a primeira etapa da despoluição, com o objetivo
de ampliar a coleta e tratamento de esgoto em toda a região metropolitana de
São Paulo, fazendo com que o esgoto deixe de ser lançado nos rios sem
tratamento. A ação ocorreu após manifestação popular seguida de um
abaixo-assinado com mais de 1,2 milhão de assinaturas pedindo a despoluição
do rio Tietê.
De acordo com a assessoria de imprensa da Sabesp, o Projeto Tietê prevê
investimentos da empresa de saneamento em todos os municípios onde atua na
região metropolitana de São Paulo, com obras concluídas ou em andamento
em 29 municípios. "Nem todas as cidades são operadas pela Sabesp. E,
nesses casos, é necessário que a concessionária local faça os investimentos.
Para despoluir o rio, é necessário que todos façam a sua parte, ou o resultado
não será visível", adianta a empresa.
A terceira etapa, que deverá ser concluída em 2015, promete beneficiar 1,5
milhão de pessoas com rede de coleta de esgoto, com tratamento para mais
3 milhões de moradores. O investimento é de US$ 1,05 bilhão. Esta fase
pretende subir a abrangência da coleta de 84% para 87%. Já o tratamento
de esgoto deverá aumentar de 70% para 84%.
MARGINALIZADO
Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, explica
que há muitos anos o rio Tietê vem sendo marginalizado e isolado da população,
sobretudo na região metropolitana de São Paulo. "Queremos mostrar para a
população que à medida que o rio for recuperado, abrimos uma série de
oportunidades, como a melhoria da paisagem urbana, uma opção de
transporte coletivo e também atividades de lazer junto a suas margens", afirma.
"As pessoas falam que já foi investido tanto dinheiro e se questionam sobre o
motivo de o rio continuar desse jeito. Poluir é fácil, mas despoluir é muito
difícil. A despoluição de alguns rios europeus, como o Tâmisa (Inglaterra),
demorou mais de cem anos," afirma Malu, explicando que já é possível
perceber o recuo da mancha de poluição a partir do interior do Estado.
(Retirado do site: Nossa terra/Folha da região)
Postado por: Jhonatan
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